O outro lado da notícia


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  • Frete grátis. Gênero: Conto. Número de Páginas: 108  Formato: 14x21 cm

Quais as relações entre a literatura e o mundo “real”? Ela, a literatura, é a expressão de uma subjetividade dilacerada como vemos no romantismo; ou é um instrumento de transformação da realidade, como no realismo-naturalismo? O escritor tem algum papel social importante? A arte tem alguma utilidade? 
De maneira fictícia, os contos deste livro respondem a tais perguntas: todos têm alguma relação com o texto jornalístico e o gênero notícia. 
Para Blanchot, a literatura desdobra o mundo, coloca no mundo o outro de todos os mundos. O mundo e seu duplo; mas, como em O médico e o monstro ou William Wilson, o duplo não é o mesmo, mas o outro do mundo, o possível que sucumbiu ao real que se manifesta no tempo... E sempre vai além das intenções do autor e sempre responde às perguntas de seu tempo de modo enigmático: por conta do alcoolismo proliferante na Rússia do século XIX, Dostoiévski teve intenção de escrever um panfleto de alerta ao povo: saiu-lhe Crime e Castigo, saiu-lhe Marmieládov. 
Então a literatura não é só a expressão de uma subjetividade, posto que tal subjetividade não é de modo algum atemporal. Mesmo os textos mais íntimos testemunham, em última análise, como uma consciência, um corpo, sentem a realidade de seu tempo. Qualquer subjetividade se constitui em seu contato com o outro, com o mundo. Desse modo, o pessoal já é social, o individual já é coletivo e, portanto, a obra interage com o mundo, nasce dele e o modifica quando vem à luz; como o filho modifica o pai; como Werther mudou os rumos do pensamento alemão no século XIX, gerando, mesmo, uma onda de suicídio. De modo algum a literatura tem fins sociais, ela não é teleológica, ela existe por si, é um “inutensílio” útil, mas o mundo não fica incólume depois de um grande autor. Shakespeare escreve Hamlet, e nasce o homem moderno. 
Os contos que compõem esta coletânea são extremamente variados no que se refere ao estilo, às preocupações e às intenções dos autores, à temática; une-os, entretanto, o fato de todos terem por base a notícia, como já disse, fictícia ou não. Assim, se Wladyr Nader nos comunica a relação entre diferentes gerações em “Meia-volta, volta e meia”, Escobar Franelas, em “Obra de Escobar Franelas será relançada”, nos dá notícia de seu próprio desaparecimento e do relançamento de sua obra. Se Adriana Brunstein nos traz notícia de um estranho caso de amor, Eduardo Sabino nos presenteia com um narrador em metamorfoses seguidas. Cada um a seu modo, brindando à multiplicidade, criando notícias de mundos possíveis. 
Agora está em suas mãos, leitor: em meio a denúncias de corrupção, desclassificações da seleção brasileira de futebol, relatos sobre os hábitos higiênicos de celebridades, você tem a oportunidade de se deliciar com notícias improváveis, impensáveis, advindas de outros mundos. Basta virar as páginas que se seguem.
DANIEL LOPES

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